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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Como um móvel

"Everythings changing when I turn around all out of my control 
I'm a mobile."

É realmente estranho abrir o blogger depois de meses e resolver postar alguma coisa. Fica até meio difícil começar um texto sem parecer pura enrolação. Talvez o texto todo pareça apenas isso, mas, na verdade, fique claro que é só um forma aleatória de colocar tudo que acumulei nesses meses pra fora. É um post de desapego que talvez me ponha no meu lugar outra vez. Mas, não prometo nada. 

Só eu sei o quanto me tornei perfeccionista. Se antes eu não percebia, agora está estampado na minha face e em tudo que eu faço diariamente, isso inclui escrever. Eu me apeguei a uma mania que chamo de "ditadura da escrita": Isso se resume a escrever, achar tudo mais ou menos e deletar. Essa tal mania acabou atrapalhando muito o desenvolvimento desse blog e o meu como "escritora".
Tudo começou quando eu me peguei escrevendo mais para os outros e pouco para mim. Eu me negava a isso. Então, acabei desanimando. Não tinha mais o que escrever. Foi quando acabei deixando pra lá.

No fim deste ano, esse blog completa 2 anos. Eu o criei pra escrever apenas para passar o tempo, para ter algo a que me dedicar, mas, acabou virando mais que isso. Descobri que as palavras são mágicas quando usadas da forma certa. Descobri que sei usa-las, mesmo que ainda não tão certo, e através delas me livrei de tanta coisa ruim que me atormentava. Isso não foi ótimo? Uma pena que eu sou mais preguiçosa do que isso e deixei passar quase 1 ano e meio (juntando todos os hiatos) sem postagens. Estou sempre tentando me redimir, mas só o tempo vai dizer se essas minhas atitudes um dia vão mudar.

Durante esses hiatos, eu mudei muito. Meus modos, meus gostos, minha visão. Algumas coisas passaram por um processo de amadurecimento. O que eu gosto de ler, escrever e ouvir atualmente é completamente diferente de 2009. Pra ser clara: tenho lido tantas coisas que tem inspirado mudanças no meu dia a dia, digamos,  leituras mais adultas sobre Feminismo, Religião, Sexo... O que acabou tirando totalmente meu foco daqueles textos sentimentais, estilo Disney/Hollywood. Esse tipo de texto, mais dramático, é o que eu sempre fiz de melhor, mas, no momento, espero me aperfeiçoar em outra área. Quero também deixar de lado aquela pressão de escrever para os outros. Nada é pior do que ser pressionada por você mesma a agradar os outros, mas, todos sabemos que isso acontece com todo mundo que expõem seu "trabalho" para qualquer tipo de público. Sei que é difícil desapegar dessa mania de agradar, pois, é ótimo receber elogios, mas quando o seu "trabalho" começa a ser feito mais para os outros do que para você, isso se torna um grande saco. Afinal, o blog é meu! As palavras são minhas! Antes de agradar qualquer pessoa, eles deveriam agradar a mim. E se, eu não tenho porque continuar aqui.

Tudo que eu penso nesse momento é se volto ou não pra cá. Não quero fazer promessas de um futuro melhor. Como eu disse, eu mudei muito, por isso, esse blog não faz mais tanto o meu estilo. Sei que posso deletá-lo ou fazer uma mudança enorme (o que dá trabalho!), mas eu não sei se quero isso. Queria guardar por aqui o que fui um dia e começar outra etapa. Só que tem outro porém... Não dá pra mudar de blog toda vez que eu tiver uma crise de identidade! E eu já consegui um público legal aqui, inclusive fiz amigos, não quero simplesmente largar.

Enquanto eu penso em soluções para isso, vou mantendo ele por aqui. Mantendo ele para aqueles dias de surto em que escrever é o que me resta. Mas não prometo voltar e permanecer. Sou mesmo muito inconstante
   
Até eu decidir, esse blog ficará por aqui sendo o que um dia eu fui.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Rumo à The Black Star Tour

Domingo, 31 de Julho, entrou pra lista dos melhores dias da minha vida. Fui ao show de uma das minhas cantores preferidas, Avril Lavigne. E como tudo aconteceu, desde que anunciaram os shows no Brasil até o dia do show, eu vou contar ~ resumidamente ~ neste post.

Antes do show:
Foram confirmados cinco shows da Avril aqui no Brasil em Junho, se não me engano. Quando soube, não pensei duas vezes e fui falar com a minha mãe, naquele momento, tudo que passava na minha cabeça era: Eu preciso ir. Pra minha sorte, minha mãe foi super boazinha e concordou, só pediu que eu desse os detalhes pra ela depois. Outra coisa que me ajudou foi o fato do show (ou pelo menos, a venda dos ingressos) ser próximo ao meu aniversário (24/06), então, nem preciso dizer que desisti de qualquer presente pra poder ganhar meu ingresso.
A principio eu planejei comprar ingresso pra Pista Premium, porém minha mãe demorou uma semana pra me "liberar" o cartão de crédito e um pouco depois da abertura da venda os ingressos pra premium esgotaram. Nem preciso dizer que chorei ~ de verdade ~ quando soube. Mas tudo bem, eu não desisto fácil. Comprei ingresso pra Pista Comum, pois não importava de onde ia assistir, só precisava estar lá ouvindo mesmo que fosse de muito longe.

Já com o ingresso comprado surgiu um probleminha: "Com quem eu vou?"
Antes mesmo de comprar meu ingresso falei com vários amigos, alguns até disseram que iriam com certeza, mas na hora de comprar mesmo ninguém comprou. Fiquei um pouco desanimada, senti um "medinho", não vou mentir, até porque esse era o primeiro show que eu iria na minha vida. Não fui em outros por falta de grana, só que dessa vez eu iria mesmo e fiquei chateada por não ter companhia. Mas não podemos esquecer que vivemos na Era da Tecnologia, então, vamos nos aproveitar dela.
Deixei algumas mensagens nos Eventos do show no Facebook, no começo fui ignorada, mas no segundo evento (que era bem mais popular) recebi várias respostas de pessoas que também iriam sozinhas. Fiz amizade com alguns, trocamos números de celular e marcamos de nos encontrar por lá. Problema de companhia: Resolvido.
Amigos do Facebook e eu ~de rosa~

No dia do show:
Acordei às dez da manhã, super nervosa, sem fome alguma (o que é estranho pra alguém como eu que não recusa uma gordice). Me arrumei, almocei e saí de casa à uma da tarde. Cheguei em meia hora no Citibank Hall, só porque fui de carro e não tinha transito. Recebi uma mensagem de uma das "amigas do Facebook" e encontrei com ela e outro menino na fila. Aos poucos os "amigos" foram chegando e passamos a tarde todinha lá sentados na grama conversando sobre a Avril e várias outras coisas. Legal é o fato do Citibank Hall ser no estacionamento do shopping Via Parque, então nos revesamos pra ir lá comer alguma coisa, etc.
Por volta das 17:30 todos já estavam super nervosos, tremendo, com frio na barriga. Foi dito que os portões abririam as dezoito horas, o que aconteceu às 18:30. Fizemos amizade com um pessoal do começo da fila e eles nos convidaram pra ficar lá com eles. Então, às 19 horas meus "amigos" e eu já estávamos correndo pra dentro do Citibank.
Não teve confusão. Passei pelo segurança, esperei os outros, demos as mãos e saímos correndo. Até tinha uns seguranças dizendo "Não precisa correr!", mas nós estávamos empolgados demais. Não deu pra não correr. Chegamos praticamente na grade, só não quis arriscar ir mais pra frente porque eu tive medo de não chegar na grade e ficar pelo meio. Sou baixinha, então fiquei bem posicionada num degrau e deu pra ter uma visão legal.
Enquanto o show não começava nós ficamos cantando várias músicas dela, nos divertimos à beça, praticamente fizemos um "show de abertura" pra Avril. E ela atrasou um pouco, então, por volta das 20:40 o show começou.

Preciso dizer que pirei? Gritei, chorei, pulei, cantei. Dei tudo de mim já na primeira música. Eu olhava pra ela, via aqueles cabelos loiros radiantes e não conseguia acreditar que ela estava ali de verdade. Era algum tipo de brincadeira? Aposto que não, mas na hora parecia que sim. Eu ficava lembrando das horas que passei ouvindo as músicas, lembrei de quando vi uma foto ou um clipe dela pela primeira vez e pensava que aquilo só podia ser brincadeira. Ainda mais pra mim que nunca nem vi ator da Globo na rua e, de repente, eu via a Avril Lavigne, uma das minhas cantores preferidas, se não A Preferida, bem ali a alguns metros na minha frente. Aliás, que linda ela é, muito simpática e carinhosa com os fãs. Fez mudanças na Setlist porque nós pedimos muito e fez um show espetacular.
Meu joelho estava me matando. Eu tremia o suficiente pra não conseguir tirar UMA foto decente. Porém, valeu super a pena. Não só pelo show incrivelmente foda, mas também pelas pessoas que eu conheci, pelas amizades que eu fiz no show. Pessoas que vou guardar pra sempre em meu coração junto com esse dia imensamente especial.


Mesmo não sendo uma fanática, confesso que faria muito pela Avril já que fazem dez anos que as suas músicas fazem muito por mim. Obrigada Avril; pelo show, pelas palavras, por tudo.

Setlist (Em negrito as minhas preferidas)* Faltou Mobile, entre outras. #cry

1. Black Star 2. What The Hell 3. Sk8er Boi 4. He Wasn't 5. I Always Get What I Want 6. Alice 7. Fix You (cover Coldplay) 8. When You're Gone 9. Stop Standing There 10. Wish You Were Here 11. Everybody Hurts 12. Nobody's Home 13. Unwanted/Freak Out/Losing Grip (Instrumental) 14. Airplanes (cover) 15. My Happy Ending 16. Don't Tell Me 17. Smile 18. I'm With You 19. I Love You 20. Hot 21. Push 22. Complicated

sábado, 16 de julho de 2011

Harry Potter e seu suposto fim

Tenho adiado esse texto faz um tempão, queria esperar até o momento certo. Adia-lo até que o fim chegasse. E, pelo que parece, ele chegou.

Lembro um pouco de como tudo começou. Conheci a serie pelos filmes, até li algum dos livros meio aleatórios, mas só ano passado tive a oportunidade de ler todos. E finalmente, virei uma verdadeira fã da serie Harry Potter.

Assisti a segunda parte do último filme na estréia (Sexta, 15) e até assisti uma segunda vez ontem (Domingo, 17). Chorei no cinema, chorei em casa e até perdi a fome. O que é surpreendente pra mim. Nunca fui de muitos ídolos, não tenho milhões de pôsteres nas paredes do meu quarto, nem possuo os livros ainda, mas meu amor por essa serie é mais forte que isso. Nunca recebi uma carta de Hogwarts, nem consegui a façanha de voar numa vassoura (Nem a Hermione é boa nisso, ok?!), a minha varinha é um canudo de plástico e nem por isso eu me considero uma trouxa. Trouxa pra mim é quem acha que o fim chegou. Não, o fim não existe para os verdadeiros fãs de Harry Potter. Pode ser que sim, o fim dos livros e dos filmes chegou, mas vocês estão esquecendo-se do mais importante: A magia. Ela que nos guiou durante todos esses anos e continuará conosco até quando quisermos.
Eu entendo vocês. Também me sinto vazia, como se tivessem arrancando parte de mim, mas o que me fortalece é pensar em todos aqueles que permaneceram conosco durante esses anos. Pense em Harry e seu grande coração. Pense em Hermione e sua inteligência. Pense em Rony e suas palhaçadas. Pense em Sirius e seu espírito adolescente. Pense em Snape e sua coragem. Pense em Dumbledore e suas sábias palavras. Pense em Hagrid e seu abraço confortante. Pense em Fred & Jorge e em suas gemialidades. Pense em Gina e em todo seu talento. Pense em Lupin e em suas melhores aulas de Defesa Contra As Artes das Trevas. Pense em Draco e seus cabelos loiros. Pense em Bellatrix e sua risada maléfica. Pense até em Tom Riddle, pois como disse Alvo: “Não tenha pena dos mortos, tenha pena dos vivos, e acima de tudo, daqueles que vivem sem amor”. E , apesar de tudo, ele merece ser lembrado também.
Agora pense na pessoa mais importante: J.K. Rowling. Essa escritora brilhante que nos proporcionou essa estória linda. Essa mulher incrível que venceu a depressão escrevendo. Essa britânica esperta que enxergou um novo mundo através de uma estação de trem. Essa mulher é um gênio. Sonho em poder olhar em seus olhos e dizer apenas: Obrigada.

Pra concluir preciso dizer que pra mim esse é apenas um suposto fim, meus amigos. O fim de verdade só vai chegar se vocês deixarem de acreditar na magia. Por isso, me prometam que enquanto nossos corações baterem, a magia estará viva dentro de nós.

domingo, 10 de julho de 2011

A sunny day, another rain IV

Tudo que vai, volta.

Estava chovendo muito. Saí andando pelas ruas me sentindo perdida, um lixo, tentando lembrar do que aconteceu antes de eu apagar naquele banheiro. Pensei na minha amiga: “Onde ela está agora? Porque ela foi embora sem mim?”
Andei durante meia hora até que cheguei numa praça e me sentei num banco. Senti um alívio quando percebi que aquela era a praça próxima a minha casa. Mas nem mesmo isso, ou a água da chuva poderia aliviar a dor que eu sentia. Não agüentei e desandei a chorar. De repente me assustei com o toque do meu celular. Depois de tudo que passei, é até irônico dizer que, foi sorte eu não tê-lo perdido também. Ele tocava e vibrava no bolso de trás da minha calça. Olhei pra tela e era Bianca.
“Oi” – Atendi desanimada. Ela começou a falar desesperadamente, perguntar onde eu estava como eu estava tentando explicar o que aconteceu. Mal terminei de falar que estava na praça perto da minha casa quando ela disse: “Estou indo pra aí”. E desligou.
Voltei a chorar durante uns dez minutos. Foi quando vi Bianca correndo em minha direção. Quando chegou perto me abraçou com tanta forte que quase me deixou sem ar.
“Alice, me desculpa! Eu só fui embora porque você mandou, mas eu devia saber que tinha alguma coisa naquela bebida. Que burra eu fui!” – Ela falava e chorava ao mesmo tempo. “Alice, olhe só pra você!”
Eu não tinha fôlego pra mais nada. Dei abraço dela e disse:
“Vamos pra casa.”

Na manhã seguinte, finalmente, repassamos o que aconteceu. Bianca me contou que depois daquela bebida ela sentiu um sono repentino, ficou sentada no sofá durante um tempo pra ver se passava e nada. Diferente de mim, que fiquei toda animadinha. Bebi mais umas cinco e comecei a dançar com todos na festa. Ela me disse que queria ir pra casa, pois não estava se sentindo bem. Só que eu não quis ir. Ela insistiu até que eu me irritei e disse que ela podia ir sozinha. Foi o que ela fez. Mas chegando em casa se sentiu mal por ter me deixado sozinha e ficou tentando me ligar a noite toda. Até o momento que eu atendi, às quatro da manhã. Sem pensar, ela saiu de casa e foi até a praça. Por sorte nós moramos bem perto.
É claro que a “brincadeira” não acabou na festa, porque na festa eu tinha feito tudo sozinha, depois de dopada, possivelmente até me diverti antes de desmaiar. Então, eles precisavam ter provas de que eles acabaram comigo. Foi quando várias fotos minhas foram parar na internet, com destaque pra pior de todas; a que aquele desgraçado tirou assim que eu acordei. Senti-me um lixo, mas não me deixei abalar, nem mesmo cogitei uma mudança de escola. Aliás, demorou muito até que o pessoal parasse de fazer comentários. Acho que só parou de vez quando o namoro “perfeito” da rata com aquele maldito acabou. Sabe o que aconteceu? De acordo com as minhas fontes... Ele a pegou no flagra com outro menino, ela ainda tentou se explicar e continuar o namoro, ele a rejeitou e ainda tentou “queimar o filme” dela. Mas conheço aquela rata maldita e ela não é boba. Foi ela quem queimou ele. Espalhou todos os podres pessoais do namoro, coisinhas que até eu mesma sabia, mas como uma boa amiga, nunca contei pra ninguém. Todo esse rolo o fez ficar mal perante a escola inteira. Nenhum daqueles “novos amigos” continuou ao seu lado. Ele até veio a mim para pedir desculpas, pedir para eu deixar tudo pra trás e voltasse a ser amiga dele.
Eu disse que ele se arrependeria de tudo. Tudo que ele fez comigo, voltou pra ele. Desculpa aí meu ex-amigo, mas nem dopada.

A sunny day, another rain III

Na madrugada.

Quando abri meus olhos eu estava deitada com o rosto colado em um chão gelado. Identifiquei o objeto branco bem a minha frente como o vaso sanitário e o banheiro como o de visitas da casa do Pedro. Apoiei-me no vaso e tentei levantar, estava de joelhos quando ouvi alguém gritar:
“Ei pessoal, ela acordou!”
Em seguida, ouvi passos e gritos histéricos vindo em minha direção. Olhei para cima e encostada na porta estava Carolina, atrás estava todo seu bando que detesto, com um sorriso enorme no rosto. Aos poucos, ela foi andando em minha direção e as outras pessoas vieram também, assim formando um círculo a minha volta.
Eu me sentia fraca. Minha cabeça doía. Eu estava longe de estar ótima.
“Que burrice vir aqui esta noite.” – Disse ela rindo. Os outros deram risadinhas. – “Justo esta noite. Poxa Alice, pensei que você fosse mais esperta.” Nesse momento, Pedro entrou na rodinha segurando uma câmera nas mãos. Ela o viu e abriu um sorriso. – “Meu amor, venha até aqui. Você é o mestre da cerimônia, este é o seu momento.”
Ele se aproximou, abaixou-se com a câmera em minha direção. Agora eu já não agüentava mais ficar parada, calada ali no chão. Eu pus a mão na frente da lente e falei:
“O que você fez comigo, Pedro?” – As lágrimas já estavam correndo em meu rosto. Não sabia o que tinha acontecido, mas sabia que tinha sido ele. Eu via em seu rosto. Ele estava contente, como se fosse o seu momento de glória. Voltou a por a câmera em minha direção, dessa vez eu não pude fazer nada, eu estava de joelhos e alguém me puxou para trás. Caí sentada. Então, quase fui cegada com a luz do flash.
Todos fizeram barulhos e começaram a gritar “caloura, caloura”. Então, limpei meu rosto, consegui ficar de pé e fui em direção ao meu ex-melhor amigo. Ele cruzou os braços e ficou me olhando com uma cara de deboche que eu conhecia bem, mas que nunca tinha sido usada contra mim.
“O que está acontecendo?” – Eu disse – “Porque isso está acontecendo? Seja homem e me diga o que você fez!”
“O que EU fiz? Você fez isso aí sozinha.” – Falou ele apontando para mim, se referindo ao meu visual. Vi através do espelho que eu estava realmente um lixo. Parecia à versão de 16 anos da Amy Winehouse. Ele riu de mim. Segurei as lágrimas e continuei.
“Por que ta fazendo isso? Nós éramos amigos!” – Ele tirou o sorriso do rosto e ia me responder quando Carolina interrompeu:
“Aff gente, esse climinha já está me deixando entediada. Posso contar o que aconteceu? Só me prometa que não vai levar pro lado pessoal. – Ela fez beicinho e tive vontade de partir pra cima dela, mas me contive. Aquele ainda não era o momento. Cruzei os braços e disse: “Fale!”
Ela tagarelou sobre as festas que sempre dá sobre o que acontece nelas e enfim, chegou ao que eu queria saber.
“... Uma das festas mais legais, com certeza, é a “Noite dos calouros”. Já ouviu falar? Sabe o que acontece?” – Disse ela, todos a redor a acompanharam com risadinhas. “Escolhemos um “novato da noite”, ou seja, qualquer um que nunca esteve em nossas festas, e fazemos um trote com ele. Não tem erro, eles sempre vêm, dizem que nos odeiam, mas não perdem a oportunidade de estar em uma das nossas festas, não sei por quê...”
“Então, eu sou a novata desta noite? Para de enrolar e diga logo tudo sobre ESTA noite!” – Eu disse já irritadíssima.
“Ai como você é chata. Ta bom, ta bom... Onde eu estava? Ah sim, toda “Noite dos calouros” precisa ter um mestre de cerimônia; ele é quem escolhe quem será o calouro e escolhe o que fazer com ele. Quem se ofereceu esse ano para este cargo foi meu amorzinho” – ela piscou e lançou um sorriso para ele. “A partir desse momento nós sabíamos que a presa mais fácil seria você. Afinal, você ainda pensava que ele era seu amigo né? Nós precisamos ter algum tipo de “proximidade” com a tal pessoa para que ela vá na nossa “onda” até o momento certo. Você foi mesmo uma estúpida, até sua amiga Bianca desconfiou da gente, mas você... Quem diria?!” – Ela deu uma gargalhada e eu não consegui agüentar mais, parti pra cima dela. As pessoas ao redor se afastaram e nós caímos no chão. Ela tentava apenas se proteger e me tirar de cima dela, mas eu estava com muita raiva e por incrível que pareça, eu era mais forte que ela.
Nunca fui boa de briga, até então eu nunca tinha tido a chance de treinar isso. Nunca briguei com ninguém sério, mas acho que naquele dia descontei tudo que estava guardado. Puxei-a pela gola e a taquei contra o chão do banheiro. Ela percebeu que apenas se defender não estava dando certo, começou a puxar meu cabelo e tentar arranhar meu rosto. Dei um soco nela e gritei: – SUA VADIA, VOCÊ VAI ME PAGAR!
Logo após me tiraram de cima dela e eu me debati com todas as minhas forças, mas os meninos eram fortes e grandes demais. Eu continuava gritando, xingando ela, meu coração batia muito forte. Parei de me debater contra quem me segurava e fiz um sinal para que me soltasse. Eles fizeram isso. Quando olhei pra Carolina, ela ainda estava jogada no chão e com seu namoradinho babaca ao seu lado. Olhei bem fundo nos olhos dele e disse:
“Tudo que vai, volta. E você ainda vai se arrepender de tudo isso.”
Virei e vi uma expressão de espanto no rosto das pessoas, abriram espaço pra mim sem que eu precisasse pedir. Desci as escadas e enfim, saí daquele inferno.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

A sunny day, another rain II

Sexta-feira — 10 de Setembro.

“E aí Alice, vamos ou não nessa festa? — Perguntou Bianca, enquanto mexia no meu armário.
“Vamos, é claro. Fomos convidadas, então, iremos. Aliás, não temos nada melhor pra fazer hoje.” — Eu disse. Ela foi até a janela, olhou um pouco a rua, o céu nublado, então se virou para mim e cruzou os braços.
“Não sei não, Alice, estou sentindo que talvez não seja uma boa idéia. Desde o dia que ele te ligou, estou me perguntando pelo por que deste convite. Ele ficou meses sem nem olhar pra nossa cara e, então, do nada ele se lembra da gente. Aliás, por que estão dando uma festa?”
“Não faço idéia. Acho que eles estão assistindo filmes americanos demais... Você sabe como são, adolescentes que dão festas a toa só pra se exibirem. Ah, não me olha com essa cara! Vamos combinar uma coisa: Vamos até lá, “investigamos” o que tá rolando e voltamos pra casa. Tudo bem pra você?” — Eu disse sorrindo. Ela respirou fundo, olhou pro lado e então deu de ombros. Pra mim, isso foi um “sim”.
Eu queria ir nessa festa, primeiramente, pela amizade com Pedro, apesar de tudo, ainda esperava que ele deixasse toda essa “popularidade” de lado e voltasse a ser aquele de antes, aquele meu amigo. E, além disso, confesso que também quis provar a Carolina que ela não nos afeta. Mais uma prova da minha estupidez.
Tocamos a campainha. A cara de rato abriu a porta, segurando uma garrafa de ICE, e com o sorriso mais falso que eu já vi na minha vida, ela disse: “Olá meninas, sejam bem vindas.” Bianca e eu trocamos olhares, então sorrimos de volta e eu disse: “Ah, me poupe!” Passamos por ela, e por um monte de adolescentes aparentemente bêbados (o que pra mim é patético, a maioria bebe uma ICE e finge estar bêbado porque, pra eles, é “maneiro”). Então, chegamos na sala e Pedro estava sentado no sofá. Ele se levantou e veio nos cumprimentar.
“Fico feliz em ver vocês. Esperem aqui, vou pegar uma bebida. “— Disse ele sorrindo. Pelo menos ele sabe fingir. Voltou minutos depois com dois drinks “Bob Marley”, ele sabe que é o meu preferido, dei um sorrisinho e agradeci. Senti um clima estranho, acho que os três sentiram. Pedro estava com um sorriso meio constrangido no rosto, parecia querer fugir da situação. Bianca estava tomando seu drink e olhando para os lados à procura de alguma coisa que a pudesse distrair. Decidi quebrar o gelo.
“Ainda tem ido naqueles shows de garagem? Você adorava...” – Perguntei.
“Ahh, na verdade, não. Tenho ido a outras festinhas. Sabiam que matinês são bem legais?” – Disse ele. Eu mal pude acreditar. Pelo que eu conheço de matinês são festinhas que tocam muito funk e Pedro sempre detestou esse ritmo. Definitivamente, nada era como antes.
Nem mesmo meus sentidos. Minha visão estava um pouco embaçada. Do nada a música pareceu ficar mais tão alta. Tudo parecia estar girando. Passei a mão ao rosto, fechando meus olhos. Ouvi Pedro perguntar “Alice, você está bem?”, balancei a cabeça e, a última coisa que me lembro foi de ter dito: “Estou ótima.”

Nota: Não queria me prolongar, mas também não queria um conto corrido e enrolado. Esse conto termina em uma terceira parte. Em breve.

sábado, 2 de julho de 2011

A sunny day, another rain

Assim que acordei, hoje de manhã, fui até a janela olhar o céu. Vi um Sol radiante e algumas nuvens em volta. Definitivamente, estava uma manhã belíssima. Eu senti vontade de sair, ir aproveitar essa linda manhã por aí, não importa onde, desde que fosse fora de casa.
Liguei para uma amiga, marcamos de nos encontrar numa praça aqui perto, depois do almoço. Como o Sol, esse dia meu humor estava radiante. Nada poderia mudar isso, eu pensei — até que eu o avistei. Eu congelei. Meu peito se encheu de ódio, senti vontade de pegar um taco de beisebol e bater nele até que implorasse para que eu parar.
“Alice?” — Ouvi alguém chamar. Era Bianca, minha melhor amiga — “O que houve com você? Porque essa cara?”
“Ah, oi Bianca... não vi você chegar. Olha só quem está ali, super sorridente. Vamos até lá? Estou com muita vontade de brincar de apedrejar pessoas hoje.” — Eu disse. Ela riu.
“Sabe Alice, você tem que esquecer o que ele fez. Se você continuar alimentando esse ódio dentro de si, vai ser muito pior.”
“Não consigo! O que ele fez foi crueldade. Não dá pra esquecer, muito menos perdoar. Sabe o que me dá mais ódio? Nós éramos amigos.”

Flashback:

Minha história com Pedro não passou de amizade. E eu digo, com certeza, ser traída por um amigo é bem pior do que por um namorado.

Pedro e eu éramos amigos desde a 3ª serie. Além de estudarmos na mesma escola e turma, ele se mudou pra uma rua próxima a minha. Ele sabia tudo sobre mim, e eu sobre ele. Junto com Bianca, eu e ele éramos inseparáveis. Pedro nunca foi popular. Tinha alguns amigos, além de nós duas, mas sempre preferiu andar com a gente. Aliás, nenhum de nós três jamais fez algum sucesso com o sexo oposto. Bom, não até o ano passado.

Carolina é uma garota popular ou, pra ser específica, uma super piranha. Já beijou metade dos garotos da escola. Sinceramente, ela não é grande coisa: Magra, alta, bronzeada (não se esqueça da marquinha do biquíni), mas tem cara de rato. E eu odeio ratos.

Um dia, numa segunda, Pedro chegou na escola empolgadíssimo contando histórias sobre uma festa que ele tinha ido no sábado. História vai, história vem... Ele contou que “ficou” com uma garota. Adivinha quem era a menina? Carolina. Na mesma hora, Bianca e eu trocamos olhares, mas resolvemos não falar nada. Pensamos que não fosse passar de uma “ficada”, porém, estávamos enganadas. Tornou-se mais que isso: Eles ficaram eles saíram outras vezes, eles começaram a namorar. Apesar de não gostarmos dela, segurávamos qualquer comentário maldoso perto dele. Pena que ela não fazia o mesmo, ela não se importava em dizer a todos, inclusive na nossa frente, que ele precisava parar de andar com “essas garotinhas”.

Namorando uma garota popular, Pedro se tornou um deles. Novos amigos, indo a festas. No começo, percebi que ele fazia esforço para estar com os dois “lados”. Mas com a pressão que ela fazia sobre ele, depois de um tempo mal nos falávamos. E depois de seis meses de namoro, ele fez o que fez.

Já fazia um tempo que nós três não saíamos juntos, ou pior, nem nos falávamos. Então, pra minha surpresa, ele me ligou e nos convidou pra uma festa na sua casa. Achei estranho, mas, apesar de tudo ainda o considerava meu amigo e vi nessa festa a oportunidade perfeita pra colocar nossa amizade em ordem outra vez. Então, nós fomos. Penso até hoje que talvez a grande idiota tenha sido eu, me pergunto: Por que diabos eu fui naquela festa?

Continua.